Palco no quintal da Casa Paisá | Fotos: Dalmo Oliveira

Um daqueles enormes casarões que margeiam o parque do Açude Novo é o mais novo point da galera descolada de Campina Grande. Tem o sugestivo nome de “Casa Paisá” e revigora a tradição campinense pela valorização da cultura alternativa, antenada com as novidades das cenas musical, literária e de outras artes contemporâneas.

Nesta quinta, a reportagem da ZUMBI WEB foi conhecer o local aproveitando a apresentação inusitada de três figuras de proa da música paraibana de qualidade: Toninho Borbo (o anfitrião), Seu Pereira Falcão e Chico Limeira. Quem nos recepcionou foi a jornalista e agitadora cultural da cidade, Val da Costa.

Ela disse que o espaço se propõe a ser opção para realização de várias atividades. “Está sendo usado bastante para palestras e lançamentos”, avisou. A casa, com vários cômodos, possui móveis antigos colonias, das décadas de 30, 40 pra trás. Na sala principal foi montado um espaço de leitura, com computadores, sofás e mesinhas.

Na sala ao lado, o pessoal instalou uma bela cristaleira cheia de livros raros. A galera pretende torna o espaço numa espécie de bistrô, com bar/restaurante funcionado a partir das quartas-feiras.

Quintalzão

A Casa Paisá possui um quintal gigante. Uma rampa cimentada leva o povo lá pra baixo, aonde foi montado um tablado de madeira, que tem servido de palco. O problema é quando chove… O som precisa melhorar. No show de ontem, com apenas vozes e violões, ficou inaudível para quem preferiu ficar bebericando lá em cima no terraço dos fundos.

Eu reverteria a posição do tablado, instalando ele no topo, do lado da rampa, perto do bar 2 e do banheiro masculino, para dar mais visibilidade e melhorar a expansão da sonorização. Uns tendões para cobrir o palco, os artistas e o som são providências urgentíssimas. Os meninos (e meninas) estão cheios de boa vontade, mas em eventos maiores vai ser preciso mais gente na cozinha e atendendo o balcão. Uns garçons, vez ou outra, também não seria má ideia.

O Show

Biplano é o novo álbum de Toninho Borbo | foto: Divulgação
Biplano é o novo álbum de Toninho Borbo | foto: Divulgação

Foi uma apresentação quase intimista. Os três músicos tocando violão, apenas. Evidentemente, Falcão liderava o set-list com seus hits consagrados acompanhados pelo coro da garotada. Chico Limeira funcionou um pouco como solista, costurando a sonoridade dos números apresentados pelos colegas de palco. Mas tem uma hora que ele debulha também suas canções autorais. Aliás, Limeira vem se tornando um compositor requisitado pela nova safra da música paraibana. Ele passeia bem entre as nuances da MPB e o samba mais contemporâneo.

Toninho Borbo é o cara da resistência. Nos últimos dez anos tem mantido uma produtividade regular. Há uma boa expectativa para seu próximo disco, que deverá ser lançado entre março e abril. Nos últimos anos passou por uma experiência de produção mais intensa, apoiando o setor musical da FUNESC e fez uma espécie de estágio-residência em Jampa.

Acho que essa experiência vai aparecer mais nitidamente agora no novo disco, “Biplano”. O trabalho traz uma sonoridade ainda mais eletrônica, apostando num balanço pós-lounge. Destaco as faixas “Só Alma”, “Canto do Encantamento” e “Água da mágoa”. Essa última, tocando na playlist da Zumbi Web há mais de um ano.

Borbo tem uma agenda intensa nas próximas semanas. Dia 13, participa do Circuito Paisà convidando Wister, Seu Pereira, Kennedy Costa e Tony Leon, na Energisa Cultural, na capital paraibana. Dia 23 ele recebe, em Campina, os recifenses da Mombojó e Gleydson Virgulino. Dia 04 de março está previsto o lançamento oficial do CD Biplano, com show da Casa Paisà. E em 27 de abril, lançamento do novo trabalho Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza(CE). Para ouvir Biplano acesse https://open.spotify.com/album/12oTPr9zd4X5lm7TcazYEw?si=jtcYXK2UQzW5GEdHyWRb-g.

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